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sexta-feira, 19, abril 2024
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“É impossível arrecadar essa quantidade de recursos com a paróquia”, diz secretário

“Ouvimos do Vaticano, que se o Brasil todo resolvesse contribuir, não chegaria nem perto desses valores que foram movimentados", disse o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda.

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Em entrevista ao Jornal Bandeirantes na manhã desta terça-feira (25), o secretário de segurança pública do estado de Goiás, Rodney Miranda falou sobre os desdobramentos da Operação Vendilhões, que investiga a Associação Filhos do Pai Eterno. De acordo com ele, os investigadores ouviram do Vaticano que “é impossível arrecadar essa quantidade de recursos com a paróquia, mesmo para Trindade, que é uma paróquia grande”, disse.

“Ouvimos do Vaticano, que se o Brasil todo resolvesse contribuir, não chegaria nem perto desses valores que foram movimentados. Isso que a gente tem que entender e partir daí, caso haja algum tipo de irregularidade, entregar para justiça”, completa o secretário Rodney Miranda.

A Operação Vendilhões investiga possíveis irregularidades financeiras praticadas por um grupo na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). A operação trabalha com a hipótese de o Padre Robson de Oliveira, fundador e presidente da Afipe e reitor da basílica Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade, seja o líder da organização.

De acordo com o secretário, o Ministério Público confirmou que somente duas das Afipes movimentaram R$ 2,2 bilhões nos últimos 10 anos. Ainda segundo Rodney, a suspeita é de que esse número possa ser de quatro a cinco vezes maior.

Secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda
Secretário da Segurança Pública do estado de Goàs, Rodney Miranda. (Imagem: comunicação / SSP)

Aquisição de bens

O MP apura que cerca de R$ 120 milhões foram usados para finalidades fora das atividades religiosas. Entre as transações investigadas estão a compra de uma fazenda no valor de R$ 6,3 milhões e uma casa de praia na Bahia por R$ 2 milhões. Rodney frisa que a aquisição de bens não é irregular, porém, o que as investigações buscam entender, é de onde vem o dinheiro.

De acordo com Rodney, são “aplicações que desviam da finalidade, que segundo os próprios religiosos, seria a evangelização e também a construção da basílica”, diz o secretário. Os investigadores trabalham com a hipóstase de movimentação financeira que supera a marca de R$ 1 bilhão anualmente.

“A gente tem comentado muito, temos debatido essa questão desde a eclosão da operação dizendo da aplicação desses recursos, como em ações, aviões”, comenta. Rodney também explica que a informação de que a Associação Filhos do Pai Eterno movimentou de R$ 8 à R$ 10 bilhões em 10 anos, foi obtida com investigadores e profissionais do Ministério Público.

Arrecadação maior que Aparecida do Norte

Ainda de acordo com as investigações, a entidade recebia mensalmente cerca de R$ 20 milhões em doações. O secretário também cita a basílica de Aparecida do Norte, no interior de São Paulo. “Aparecida recebe muito mais fiéis, muito mais romeiros, tem uma arrecadação muito maior, não chega a um milésimo disso que está sendo arrecadado aqui em Trindade”, diz.

Rodney ressalta que se as investigações estiverem erradas, todos merecem um pedido de desculpas, e lembra que a igreja não está sendo investigada. “O que está sendo investigado não é a igreja, é um grupo que tem se beneficiado com esses recursos”. Ainda de acordo com Rodney, “já tem provas e mais provas disso na investigação do Ministério Público”.

Defesa nega que operações tenham sido irregulares

O advogado de defesa da Associação Filhos do Pai Eterno, Klaus Marques, garantiu que os imóveis comprados com recursos da Associação estão legalizados. E coletiva na última sexta-feira (21), questionado sobre a suspeita de que Afipes foram criadas para o desvio de dinheiro doado por fiéis, o advogado disse que não existe outras empresas, apenas uma Afipe e diversas filiais.

“Entre os objetivos da Afipe está a evangelização e para que possamos chegar a isso, precisávamos de investimentos. E esses investimentos nunca foram exclusivamente por meios bancários. Muitos foram por meio de atividades. Então quando a Afipe adquiria uma fazenda para criar gado por exemplo, e tirar lucro para manter suas atividades, o que é licito, ela tinha que abrir um CNPJ, uma filial. Cada negócio era um CNPJ diferente”, afirma o advogado.

Confira o trecho da entrevista com o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda:


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