Governo de Goiás anuncia pacote de R$ 628 milhões para proteger exportações goianas após tarifaço dos Estados Unidos 

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O governador Ronaldo Caiado apresentou nesta terça-feira (22), no Palácio das Esmeraldas, um conjunto de medidas econômicas voltadas a minimizar os impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Durante reunião com representantes do setor produtivo, foram anunciadas novas linhas de crédito e apoio financeiro para empresas exportadoras goianas, especialmente as que mantêm relação comercial com o mercado norte-americano. 

Goiás se tornou o primeiro estado brasileiro a reagir formalmente ao tarifaço decretado pelo presidente Donald Trump, com foco na proteção dos empregos e da atividade econômica local. “Somos um Estado que busca todos os mecanismos para auxiliar os empresários e trabalhadores goianos. Essa é minha primeira preocupação como governador”, afirmou Caiado. 

Medidas de apoio ao setor produtivo 

Três instrumentos financeiros estão à disposição das empresas atingidas pelas sobretaxas. A principal novidade é o Fundo Creditório, criado para dar suporte ao setor produtivo com créditos garantidos por valores de ICMS. A expectativa é liberar, já a partir de agosto, aproximadamente R$ 628 milhões em créditos — sendo metade desse valor proveniente de créditos acumulados de ICMS e a outra metade de aportes do mercado financeiro. 

O governo vai apresentar oficialmente a proposta no leilão da Bolsa de Valores B3, em São Paulo, no dia 5 de agosto. A linha de crédito terá juros de 10% ao ano, cerca de três pontos percentuais abaixo das taxas praticadas em programas federais como o BNDES e Plano Safra. 

Outra medida é o Fundo de Equalização para o Empreendedor (Fundeq), lançado em 2020 durante a pandemia, que subsidia encargos em operações de crédito. A terceira alternativa é o Fundo de Estabilização Econômica, uma reserva financeira do Estado destinada a momentos de crise, como o atual. 

As empresas interessadas devem procurar a Secretaria-Geral do Governo (SGG) para iniciar os trâmites. Como contrapartida, os empresários devem garantir a manutenção dos empregos durante o período de financiamento. 

Leia Mais: OVG e Goiás Social capacitam mais de 18 mil voluntários e reforçam ações solidárias em 2025  

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Reações do setor produtivo 

Representantes de entidades empresariais elogiaram a rapidez da resposta estadual. Flávio Rassi, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), classificou o pacote como “uma ferramenta impressionante” e destacou a importância de uma liderança proativa. Paulo Afonso Ferreira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou que Goiás “sai na frente” ao debater soluções práticas para enfrentar o momento. 

Zé Garrote, ex-presidente da Adial, celebrou a inovação: “Abre oportunidades e nos dá novas visões de mercado”. Já Clodoaldo Calegari, da Aprosoja, elogiou a ousadia da gestão. “É uma opção corajosa, saindo à frente dos demais estados”, resumiu. 

Comitê de acompanhamento 

O Governo de Goiás também instituiu um comitê de crise, que manterá contato diário com o setor produtivo para alinhar estratégias. A partir desta quarta-feira (23), serão realizadas reuniões com seis segmentos econômicos: Fármacos e Saúde; Carne, derivados e pescados; Mineração; Sucroenergético; Soja e cítricos; e Curtume. 

O titular da SGG, Adriano da Rocha Lima, explicou que o comitê será composto por seis secretarias, com responsabilidade de definir quais áreas estratégicas terão acesso prioritário aos recursos. A Secretaria da Economia cuidará da validação dos créditos de ICMS e da regularidade fiscal das operações. A liberação dos recursos está prevista para começar no dia 6 de agosto. 

Impacto na balança comercial 

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial de Goiás, atrás apenas da China. De janeiro a junho de 2025, o estado exportou US$ 337 milhões em produtos para os EUA, principalmente carne (61%) e ferro e aço (11%). No mesmo período, importou US$ 289 milhões, com destaque para máquinas mecânicas (38%) e produtos farmacêuticos (29%). 

O governo espera que os recursos anunciados impulsionem novos investimentos e ampliem a capacidade produtiva. A expectativa também é que parte do valor sirva como capital de giro, ajudando as empresas a se manterem ativas durante a instabilidade comercial.

Participaram da reunião a primeira-dama e coordenadora do Goiás Social, Gracinha Caiado, além de secretários de Estado, prefeitos e lideranças empresariais. Estiveram presentes representantes da Fieg, Faeg, Sindicarnes, OCB-Goiás, Aprosoja, Facieg, Acieg, CDL, Fecomércio, Sebrae, Senar, Sesc/Senac, AGM e FGM.

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