Edward Madureira: “UFG tem maior restrição orçamentária da história”

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Edward Madureira, reitor da UFG, foi o entrevista do Jornal Bandeirantes nesta terça-feira, 10.
Edward Madureira foi o entrevistado do Jornal Bandeirantes nesta terça-feira, 10. Foto: Sara Queiroz

Em entrevista ao Jornal Bandeirantes nesta terça-feira, 10, o reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira, afirmou que a UFG passa atualmente pela maior restrição orçamentária de toda sua história e que se não houver o desbloqueio dos recursos por parte do Ministério da Educação, a UFG pode não funcionar no mês de outubro.

Edward explicou que o orçamento discricionário anual, que gira em torno de R$ 90 milhões, já era restringido desde 2014 e que foi agravado em 2016, já que ficou estagnado e não cresceu. “Isso já seria insuficiente. Agora desse total que já era insuficiente foi retirado 30%, ou seja, tirou 27 milhões.  A despesa mensal é sete milhões, então o que ocorreu é que foi retirado quatro meses de orçamento que já era insuficiente”, explicou. A folha de pagamento dos servidores e professores da instituição não entram nessa conta do orçamento.

Segundo ele, todas as Universidades estão entrando em crise e colapso. “Hoje convivemos com bloqueio e esse bloqueio precisa ser urgentemente revertido nesse mês de setembro com pena de não conseguirmos funcionar no mês de outubro”, alertou.

O reitor também explicou que o orçamento anual é liberado mês a mês e que até o momento só foram repassados 7% do previsto para setembro. Segundo ele, há atrasos para fornecedores de energia elétrica, coleta de lixo, segurança privada e outros serviços que mantém a UFG funcionando.

“Estamos trabalhando junto ao Congresso Nacional, com todos, para sensibilizar o governo sobre o caos que se encontra as Universidades Federais do país”, comentou. De acordo com Edward em uma última reunião dos reitores com o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi sinalizado que neste mês de setembro haveria possibilidade de desbloqueio da verba com a expectativa de aumento da arrecadação da receita.

Para o reitor, o discurso de autoridades do governo Bolsonaro sobre as Universidades serem um local que prega o “comunismo” é “lamentável e repetido”. Ele lembrou que há espaço e debate para todas as posições políticas dentro da instituição e que além disso, a universidade é um centro de formadores de pesquisa. “A pesquisa cientifica é cada vez mais fortes nas Federais, são as instituições responsáveis por bem mais da metade da produção do conhecimento novo produzido pelo Brasil. Não faz nenhum sentido atribuir viés ideológico para Universidade”, finalizou.

Ele ainda comentou sobre a pouca inclusão dos cidadãos brasileiros no ensino superior: 17% dos brasileiros estão na universidade, destes, são 25% em pública, 75% em redes privadas. Atualmente há no Brasil 63 Universidades Federais, 38 Institutos Federais e dois Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). De acordo com Edward Madureira, nenhum deles irá conseguir fechar o ano se o desbloqueio dos recursos não for realizado.

Escute a entrevista completa: