Movimentações recentes do senador Wilder Morais (PL) e declarações do governador Ronaldo Caiado (PSD) reacenderam as incertezas sobre uma possível aliança entre o governo estadual e o partido bolsonarista para as eleições de 2026.
Após encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro no Presídio da Papudinha, em Brasília, Wilder anunciou ter recebido sinal verde para seguir como pré-candidato ao governo de Goiás pelo PL. Segundo ele, Bolsonaro reforçou a necessidade de o partido ter palanques estaduais fortes para dar sustentação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
“Fui buscar orientação e recebi a confirmação de que devo seguir em frente como pré-candidato ao governo de Goiás”, afirmou o senador.
A declaração esfriou as articulações que vinham sendo costuradas entre o PL e a base governista em Goiás. A composição previa apoio à candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) ao Palácio das Esmeraldas, com a indicação do deputado federal Gustavo Gayer (PL) ao Senado na chapa governista, ao lado de Gracinha Caiado.
Apesar da movimentação de Wilder, o governador Ronaldo Caiado sinalizou que ainda aguarda um posicionamento definitivo da direção nacional do PL, especialmente do senador Flávio Bolsonaro.
“Sou muito pragmático. Estou aguardando o tempo em que será dada a resposta. O senador Flávio ficou de dar uma resposta quando voltar ao Brasil”, declarou Caiado nesta quarta-feira (18), ao ser questionado sobre o tema.
Ao comentar a fala de Wilder, o governador evitou confronto direto. “Não cabe a mim comentar problema de outro partido”, respondeu.

Bastidores
Nos bastidores, integrantes da base governista apontam que, desde o anúncio de Wilder, nem Flávio Bolsonaro nem Michelle Bolsonaro se manifestaram oficialmente sobre o cenário em Goiás, o que mantém aberta a possibilidade de reacomodação política.
A reação dentro do próprio PL também evidenciou fissuras. Sem citar nomes, Gustavo Gayer publicou nas redes sociais que “nada é pior do que mentir sobre ter o apoio de uma pessoa que está presa e não pode falar a verdade”, sugerindo desconforto com a narrativa apresentada por Wilder. O deputado ainda alertou que decisões desalinhadas poderiam comprometer a estratégia nacional do partido e a formação de maioria no Senado.
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Articulação cautelosa
Enquanto o PL vive seu debate interno, o vice-governador Daniel Vilela adota postura cautelosa. Durante a reabertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa, também nesta quarta-feira, ele afirmou que mantém diálogo com todos os partidos e que não há pressa para definições.
“Cada sigla tem seu tempo. As portas estão abertas”, disse Daniel, evitando pressionar publicamente o PL.
A estratégia, segundo interlocutores, é preservar a base aliada e manter canais abertos até o período das convenções partidárias. A preocupação central é garantir sustentação política sólida quando ocorrer a desincompatibilização de Caiado, prevista para o fim de março, quando Daniel assumirá o governo.
Dentro do PL goiano, o grupo liderado por Wilder já sinaliza que pretende lançar oficialmente a pré-candidatura ao governo após o Carnaval. O deputado estadual Eduardo Prado acompanhou o senador no encontro com Bolsonaro e reforçou que o partido deve consolidar o projeto próprio no Estado.

Cenário indefinido
O impasse coloca em xeque uma aliança que vinha sendo considerada praticamente selada até poucos dias atrás. Embora Caiado tenha dado como encaminhadas as conversas no último sábado, a movimentação de Wilder alterou o ritmo das negociações.
Agora, o desfecho depende do posicionamento da direção nacional do PL. Até lá, o cenário em Goiás permanece aberto, com articulações em curso, discursos medidos e nenhuma porta oficialmente fechada.


