Defesa alega que perfil foi clonado após ofensa racista contra entregador

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A advogada do adolescente de 15 anos que teve o perfil com um registro de um comentário racista contra um entregador de aplicativo na última sexta-feira (21), em Goiânia, argumentou que o perfil do jovem foi clonado e que, por isso, ele não é o autor da mensagem ofensiva.

Ao ser pedido para avaliar o serviço da entrega, o perfil reagiu de forma adversa porque o entregador é “negro”.

Ainda segundo a advogada da família, Fabiana Castro, o cliente foi vítima de golpistas que fizeram compras em nome dele em outras regiões do país. Ela explicou que a clonagem foi descoberta porque, no histórico, há registros de compras feitas em Aracaju (SE) e Penedo (AL), que são, portanto, locais que ele nunca teria ido, explica.

A compra teria ocorrido na madrugada de sexta-feira (21). O adolescente fez o pedido para sua residência, num condomínio da Vila Alpes, em Goiânia. Ao realizar a entrega, depois que retornou para o estabelecimento, o entregador percebeu que a avaliação tinha sido crítica justificando “entregador negro”.

Ao Popular, o entregador Cleiton Cruvinel, 41 anos, disse que sentiu um olhar indiferente quando foi deixar o pedido com o adolescente.

”Quando voltei para a lanchonete vi o comentário no aplicativo. E olha que não sou negro, mas estava de máscara. Muito constrangedor. Estou abalado”, disse.

O caso foi registrado na Polícia Civil e deve ser investigado pelo Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri). A previsão da corporação é de que a vítima seja ouvida na segunda-feira (24).

Em nota, o iFood informou que repudia qualquer ato de discriminação. De acordo com a plataforma de entregas, um processo de investigação interno foi aberto.

O iFood lamenta o caso e reforça que repudia qualquer ato de discriminação. A empresa preza por relações e ambientes seguros e livres de assédios, preconceitos e intimidação em todas ações que realiza, sempre baseado em respeito, conforme os valores presentes em seu Código de Ética e Conduta.

Por conta desse episódio, foi dado início a um processo de investigação interno para que as devidas providências sejam tomadas, incluindo o descadastramento do cliente. O iFood esclarece ainda que o entregador trabalha direto para o restaurante e, por isso, a empresa também acionou o estabelecimento para também poder prestar suporte ao entregador envolvido neste caso.

O iFood ressalta a importância de que sejam registrados em Boletins de Ocorrência junto às autoridades de segurança pública e segue à disposição para colaborar com as investigações, caso seja solicitada.


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