‘Cadeia hereditária’ deixa rico mais rico e pobre mais pobre

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Em 1999 uma música com letra muito politizada e com uma crítica social ácida virou hit nas emissoras de rádio e televisão do Brasil.

O grupo chamava-se “As meninas”.

Oito integrantes tocavam, dançavam e cantavam a música Xibom, bombom. Os versos diziam:

“Analisando essa cadeia hereditária quero me livrar dessa situação precária. Onde o rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. E o motivo todo mundo já conhece é que o de cima sobe e o de baixo desce”.

Parecia uma brincadeira onde rimas e ritmos levavam o ouvinte, mesmo sem perceber, a criticar sua miséria econômica e social.

A música dava seqüência a um raciocínio muito comum à maioria dos cidadãos brasileiros.

“Mas eu só quero educar meus filhos// tornar-me um cidadão com muita dignidade. Eu quero viver bem//quero me alimentar com a grana que eu ganho”.

Vinte anos depois e  a letra continua atualíssima.

Se o grupo falava sobre pobreza no fim da década de 1990 baseado em percepções, hoje nós podemos falar baseados em números.

Dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas mostram que a desigualdade de renda entre os brasileiros atingiu seu maior nível no primeiro trimestre de 2019, se comparado com os sete anos anteriores.

A série histórica que mede a renda do trabalho foi iniciada em 2012.

Segundo o estudo, o índice da desigualdade vem crescendo desde 2015 e é esse o ano que separa as oscilações na relação entre a renda média dos 10% mais riscos e dos 40% mais pobres no Brasil do pré crise, antes de 2015, e do pós crise, depois de 2015.

E seguimos com dados:

No período pré-crise, até 2015, os mais ricos tiveram aumento real de 5% em sua renda. Já os mais pobres, o dobro, 10%.

Já no período pós-crise, a renda acumulada real dos mais riscos aumentou 3,3% e a dos mais pobres caiu mais de 20%.

Mesmo com essa diferença do período pré-crise em que os pobres tiveram  o dobro de aumento real em sua renda, eles continuam em desvantagem.

O estudo mostra que durante toda a série história, a renda real acumulada dos mais ricos aumentou 8,5%, e a dos mais pobres caiu 14%.

Entendeu agora por que “As meninas” sempre tiveram razão?

Bom xibom, xibom, bombom 1999 pra você também.

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