Buscando votos para filho de secretário, ex-primeira-dama se passava por servidora e distribuía remédios em Firminópolis

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O Ministério Público de Goiás (MPGO) propôs ação de improbidade administrativa contra o ex-secretário de Saúde de Firminópolis, Geraldo Aparecido da Silva, e a ex-primeira-dama, Nilza Rosa da Silva, que se passava por servidora. De acordo com o MP, o secretário consentiu que a mulher atuasse, tomando decisões e distribuindo medicamentos para obter apoio ao candidato a vereador Ivan do Geraldo Mecânico (PP), filho do secretário, nas eleições 2020.

Nilza chegou a ser presa em flagrante pela Polícia Civil, dentro da sala do ex-secretário. Segundo o promotor de Justiça Ricardo Lemos Guerra, a mulher praticou o crime de usurpação de função pública. Ela se apossava de medicamentos e os entregava à população, bem como fazia atendimentos. Depoimentos apresentados na ação confirmam que ela recolhia documentos e receitas médicas e os repassava aos servidores da pasta a fim de viabilizarem as doações.

Foi demostrado ainda que os atos não eram um fato isolado. Testemunhas apontaram que ela frequentou as dependências da secretaria, periodicamente, de outubro a novembro de 2020. Em 2015, a ex-primeira dama foi condenada por improbidade administrativa e teve os direitos políticos suspensos, o que a impede de exercer cargos públicos. Ivan foi o terceiro vereador eleito mais bem votado de Firminópolis, com 343 votos.

Ex-prefeito também foi citado

Além do candidato a vereador, o MP também cita ex-prefeito de Firminópolis, Jorge José de Souza, conhecido como Jorge do Escritório. Ele não foi reeleito, ficando em terceiro lugar. Jorge é alvo de outras investigações por suspeita de corrupção no âmbito da administração municipal, incluindo superfaturamento e desvio na compra de medicamentos.

Em janeiro deste ano, a Polícia Civil de Firminópolis executou a operação “Colarinho Branco”. A ação investigou notas fiscais faturadas em favor do Fundo Municipal de Saúde no final da última gestão de Jorge. As notas simulavam compras de mercadorias que não foram entregues, buscando apenas o desvio de verbas públicas.

Em dezembro, último mês de Jorge do Escritório a frente da prefeitura, o valor desviado chega a R$ 300 mil. A verba supostamente desviada deveria ser aplicada no combate a Covid-19 no município. Ele chegou a ser preso temporariamente durante a operação.

Indenização

Na ação, é requerido que os dois acionados sejam condenados às sanções do artigo 12, da Lei de Improbidade Administrativa. É pedido ainda que ambos paguem uma indenização pelo prejuízo causado ao patrimônio moral da sociedade firminopolina, em valores a serem fixados pelo magistrado.


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