À Bandeirantes, Mandetta fala sobre futuro político, enfrentamento à pandemia e “polarização burra”

Ao falar sobre o futuro político do país, sem citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Mandetta criticou a “brigalhada” em que, segundo ele, o Brasil se encontra.

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Luiz Henrique Mandetta DEM
O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante a coletiva de imprensa sobre à infecção pelo novo coronavírus. (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)

O ex-ministro da Saúde e ex-deputado federal, Luiz Henrique Mandetta (DEM), concedeu na manhã desta terça-feira (09), uma entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes Goiânia. Entre os assuntos discutidos, Mandetta falou sobre uma possível saída do DEM, criticou decisões do governo federal e falou sobre a marca de um ano da repatriação dos brasileiros de Wuhan, que vieram para Goiás quando ainda era ministro.

Ao falar sobre o futuro político do país, sem citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Mandetta criticou a “brigalhada” em que, segundo ele, o Brasil se encontra. “Então o grande projeto do Brasil é armar todo mundo pra ver se cada um dá um tiro no outro? Isenta o imposto de revolver, de armas, e aumenta a taxação de equipamentos de saúde. Condução equivocada, falta de independência tecnológica em saúde, não compra de vacinas”, falou.

“O povão não está nem um pouco satisfeito com essa conversa de políticas de nomes. Eles querem é saber como nós vamos sair dessa crise de amplitude tão alta. A maioria do povo brasileiro não é radical, é um povo que quer um projeto de nação, então é por aí que eu vou”, pontuou Luiz Henrique Mandetta.

Mandetta acredita que o “povão” está cansado do que chamou de “polarização burra”. “Eu vejo o Brasil precisando de um bom diálogo. O Brasil está cansado de agressões do lado A contra lado B, uma polarização muito burra. Eu estou dentro de um partido que deve fazer essa discussão”, comenta o ex-ministro que atualmente é filiado ao Democratas (DEM), mesmo partido do governador Ronaldo Caiado.

Brasileiros repatriados em Anápolis

No dia nove de fevereiro de 2020, os 34 brasileiros, sendo 31 repatriados e três diplomatas, chegavam a Base Aérea de Anápolis, em Goiás. Os brasileiros foram resgatados da cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto mundial do coronavírus. Os repatriados permaneceram em quarentena por 18 dias, no hotel de trânsito da Base Aérea, que foi especialmente preparado para essa operação.

Mandetta, na época ministro da Saúde, comenta que a dúvida sobre como lidar com o novo vírus foi uma das principais dificuldades. “Era um momento de muita dúvida, não se tinha conhecimento da extensão”, diz o ex-ministro. “Contamos muito com a solidariedade do povo goiano. Foi fundamental tanto do prefeito de Anápolis [Roberto Naves] quanto do governador Ronaldo Caiado”, comenta Mandetta aos falar sobre os trâmites da operação.

Foram realizadas quatro testagens na operação. Uma antes da viagem, assim que chegaram no Brasil, após sete dias e após 14 dias de confinamento. De acordo com Mandetta, a vacina será o principal fator no fretamento da pandemia. Ele avalia que “com as vacinas, a chances de não termos formas graves” são bem maiores, o que naturalmente descongestiona o sistema de saúde. “Nós temos que chegar a 170 milhões de brasileiros vacinados para fazer um bloqueio coletivo”, sublinha.

Permanência no DEM

A eleição na Câmara dos Deputados escancarou uma crise interna no DEM, principalmente por conta da possível saída de Luiz Henrique Mandetta e do ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Um dos motivos seria as intenções já declaradas do presidente da sigla, ACM Neto, em fazer uma aliança com Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Mandetta revela que sua permanência irá depender do caminho que o partido irá seguir. “Se for um caminho simplesmente de compor um nome, de A, B ou C, sem compromisso com ideias, fica difícil a permanência”, diz ele.


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