Quadrilha montava ‘escritórios do crime’ e recrutava moradores de rua para fraudar empréstimos em Goiás e outros estados 

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Um grupo especializado em invadir sistemas governamentais foi desarticulado nesta quinta-feira (29) durante uma operação da Polícia Civil em Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. Segundo a corporação, a organização criminosa aplicava fraudes por meio da plataforma Sou.Gov, utilizando pessoas em situação de vulnerabilidade social para abrir contas digitais e contratar empréstimos fraudulentos. 

O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 365 mil. 

De acordo com a investigação, os criminosos recrutavam “moradores de rua” para abrir contas em bancos digitais e, após a liberação de crédito, utilizavam os cadastros para a contratação de empréstimos. Os principais alvos eram servidores públicos, o que explicaria o uso do acesso indevido ao sistema do governo. 

Para dificultar o rastreamento, os suspeitos alugavam imóveis por temporada, inclusive em plataformas como o Airbnb. Nesses locais, eles montavam estruturas temporárias com computadores e impressoras para aplicar os golpes.

A apuração também identificou que a quadrilha usava softwares de automação para varrer bases de dados. Com isso, o grupo selecionava vítimas com alto score de crédito, margem consignável disponível e sem dívidas. Internamente, os alvos eram classificados como pessoas de “renda boa”. 

Ainda conforme a polícia, o grupo usava pessoas em vulnerabilidade — chamadas de “atores” — para passar pela biometria facial exigida na abertura de contas. Paralelamente, um núcleo específico atuava na falsificação de documentos, produzindo versões adulteradas de RGs e CNHs. 

Leia Mais: Prefeitura de Goiânia inicia envio dos boletos do IPTU 2026 

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Criminosos recrutavam “mendigos” para abrir contas e fraudar SouGov

Como funcionava

Depois da abertura das contas, os criminosos movimentavam pequenos valores para simular atividade financeira regular e aumentar limites de crédito. Em seguida, acessavam indevidamente o Sou.Gov, suprimiam a autenticação de dois fatores e elevavam o nível das contas invadidas para “prata” ou “ouro”, o que possibilitava a contratação de empréstimos em nome das vítimas. 

Até o momento, o Distrito Federal já confirmou ao menos dois casos. Um deles causou prejuízo de R$ 244.131,79 ao Banco Sicredi. O outro gerou perda de R$ 120 mil ao Banco do Brasil.

A operação cumpriu seis mandados de prisão e oito de busca e apreensão em Aragarças (GO), Samambaia (DF), Areal (DF), Ceilândia (DF), Riacho Fundo (DF), Barra do Garças (MT) e outras localidades do Distrito Federal. 

A Justiça também determinou o bloqueio de valores em contas vinculadas aos investigados para tentar garantir o ressarcimento às vítimas e enfraquecer a estrutura financeira do grupo. 

Segundo a Polícia Civil, os líderes da organização tratavam as fraudes como uma atividade profissional. Eles descreviam os golpes como um “trabalho diário” para manter o padrão de vida.

Os presos devem responder por organização criminosa e estelionato eletrônico. As investigações seguem para identificar outros envolvidos e possíveis novas vítimas. 

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