Uma empresa de assessoria financeira instalada na Vila Rosa, em Goiânia, foi interditada nesta terça-feira (4) durante uma operação conjunta do Procon Goiás e da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon). A ação foi motivada por denúncias de consumidores que alegam terem sido induzidos a acreditar que estavam contratando financiamento para compra de veículos.
De acordo com os órgãos de fiscalização, a empresa anunciava automóveis em plataformas de marketplace e redes sociais com ofertas consideradas atrativas, incluindo a promessa de facilidade na aprovação de crédito, mesmo para pessoas com restrições financeiras.
Após o interesse dos clientes, os suspeitos informavam que o financiamento estava praticamente aprovado. Depois, cobravam pagamentos imediatos entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, alegando que o valor daria continuidade à compra do veículo.
Entretanto, segundo a fiscalização, os consumidores assinavam contratos de prestação de serviços de assessoria financeira, e não de financiamento. Quando a empresa não liberava o crédito e não entregava o veículo, alegava que havia cumprido o serviço contratado. Depois, recusava devolver os valores que os clientes haviam pago.

Fiscalização encontrou material que orientava abordagem aos clientes
Durante a operação, fiscais do Procon e policiais da Decon encontraram oito vendedores trabalhando no local. Um deles mantinha mais de 20 anúncios com características semelhantes às práticas investigadas.
A investigação também apreendeu documentos internos com roteiros de atendimento. Segundo os investigadores, o material orientava vendedores a induzir consumidores a acreditar que contratavam um financiamento bancário para comprar um veículo. Na prática, o serviço oferecido era apenas de assessoria financeira.
Na Decon, já existiam mais de 40 boletins de ocorrência registrados contra a empresa.

Fiscalização fecha empresa e prende proprietário.
O Procon Goiás autuou e interditou o estabelecimento por supostas infrações ao Código de Defesa do Consumidor, entre elas falta de informações claras sobre os serviços oferecidos, publicidade enganosa, práticas abusivas e falhas na prestação do serviço.
A interdição permanecerá em vigor até que a empresa apresente esclarecimentos considerados satisfatórios pelo órgão e comprove a interrupção das irregularidades apontadas. O estabelecimento terá prazo de 20 dias úteis para apresentar defesa administrativa.
Além da interdição, a Decon apreendeu celulares, máquinas de cartão, planilhas de pagamento de comissões, controles internos e documentos utilizados na captação de clientes. Os investigadores também localizaram minutas de termos de rescisão, reembolso e renúncia. A equipe analisará os documentos durante o andamento das investigações.
Em outra frente da operação, equipes da Decon prenderam o proprietário da empresa. Segundo a polícia, o suspeito já acumulava denúncias e prisões por crimes semelhantes.
Consumidores que desejarem registrar denúncias podem procurar o Procon Goiás pelos telefones 151 e (62) 3201-7124, além dos canais oficiais de atendimento disponibilizados pelo órgão.



