A Justiça determinou o afastamento temporário de mais 16 servidores da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) durante o avanço das investigações da Operação Pacto Oculto, conduzida pela Polícia Civil de Goiás. A operação apura um suposto esquema de fraudes em acordos extrajudiciais dentro da companhia, envolvendo pagamentos indevidos, favorecimento em processos administrativos e possíveis práticas de rachadinha.
A decisão judicial atende a um pedido da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap). Os servidores permanecerão afastados das funções por 60 dias.
Além dos afastamentos, a Justiça autorizou o bloqueio das contas bancárias dos investigados e o recolhimento de celulares, computadores e outros equipamentos funcionais utilizados pelos servidores.
Segundo as investigações, funcionários da companhia conseguiam acelerar acordos administrativos relacionados a revisões salariais sem documentação adequada ou autorização regular. Em troca, parte dos valores recebidos seria devolvida aos operadores do esquema.
A Polícia Civil investiga suspeitas de prejuízo milionário aos cofres públicos entre os anos de 2022 e 2024. Documentos, movimentações financeiras e equipamentos apreendidos seguem sendo analisados para identificar outros possíveis envolvidos.
Em nota, a Companhia de Urbanização de Goiânia informou que já iniciou o cumprimento da decisão judicial e destacou que as irregularidades investigadas ocorreram em gestões anteriores. A companhia também afirmou que vem colaborando com as autoridades desde o início das apurações.
Confira a nota completa da Comurg
A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) cumpriu, na manhã desta terça-feira (26/05), a decisão judicial proferida pelo 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia, no processo que resultou na Operação Pacto Oculto, da Polícia Civil de Goiás (PC-GO), na última quinta-feira (21).
A ordem da juíza do caso determinou o afastamento cautelar de 16 pessoas da companhia pelo prazo de 60 dias, além de outras medidas restritivas.
O presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia, Cleber Aparecido Santos, acolheu integralmente o parecer jurídico da Coordenação de Assuntos Administrativos Externos.
Em despacho, ele determinou o bloqueio de crachás, senhas, logins, e-mails institucionais e acessos aos sistemas internos, incluindo o Sistema Eletrônico de Informações (SEI). A decisão também proibiu a entrada dos investigados nas dependências físicas da companhia. A decisão também determinou o recolhimento de notebooks, celulares funcionais, tokens, chaves e documentos institucionais.
Além disso, os investigados deverão preservar documentos, processos administrativos, registros de acesso e arquivos digitais relacionados ao caso. A companhia informou ainda que instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs), que resultaram na demissão de 11 empregados após comprovação de irregularidades de conduta. Documentos e informações também foram encaminhados à Polícia Civil de Goiás, ao Ministério Público de Goiás e à OAB-GO.
“A atual gestão da Comurg não compactua com qualquer tipo de irregularidade. Fomos nós que identificamos as desconformidades e levamos o caso às autoridades competentes. O cumprimento da decisão judicial coaduna com o nosso compromisso de transparência e respeito com a coisa pública”, afirmou o presidente da companhia.
A Comurg ressaltou ainda que os serviços de limpeza urbana e urbanização seguem sendo executados normalmente, sem prejuízo à população de Goiânia.



