A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante desfile da Acadêmicos de Niterói, no último domingo (15), na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, desencadeou reações no campo político e religioso, ampliando a polarização em torno do episódio.
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) publicou vídeo nas redes sociais convocando apoiadores a promoverem uma “campanha de denúncia em massa” contra o presidente junto ao Ministério Público Federal (MPF). Segundo ele, o desfile teria configurado campanha eleitoral extemporânea e possível crime eleitoral.
“Esse vídeo tem um propósito muito claro e eu vou precisar da sua ajuda”, afirmou o parlamentar. Gayer disse já ter protocolado denúncia, assim como seu gabinete e partidos como PL e Novo, mas defendeu ampliar a mobilização institucional. “E se o Ministério Público Federal recebesse milhões de denúncias? A pressão vai ser tanta que o TSE não vai ter outra possibilidade a não ser tornar Lula inelegível”, declarou.
No vídeo, o deputado orienta seguidores a registrarem manifestações no site do MPF, selecionando o tema “eleitoral” e anexando imagens ou reportagens. Ele ainda comparou o caso à decisão que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível. “Bolsonaro ficou inelegível por muito menos”, afirmou.
Críticas de Caiado
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também criticou a homenagem. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Lula estaria utilizando o cargo para “autoglorificação” e para aprofundar divisões políticas.
“Lula aposta tudo na fratura da nação. Numa postura digna de Luís XIV (‘o Estado sou eu’), usa seu posto para a autoglorificação e para tentar ridicularizar todos que não compactuam com as condutas criminosas de seu partido. É o nós contra eles em forma de alegoria”, escreveu.
Pré-candidato à Presidência da República, Caiado também mencionou a Justiça Eleitoral ao comentar o desfile. “Lula debocha dos brasileiros e da Justiça Eleitoral. Este ano, vamos tirar o PT do poder e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”, afirmou.
Leia Mais: Câmara de Senador Canedo abre inscrições para concurso com 25 vagas e salários de até R$ 11,9 mil
Siga o nosso Instagram, se inscreva no YouTube e também nos acompanhe no TikTok
⛪ O pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus de Perus (SP), criticou o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Lula. Ele afirmou que vai orar pelos carnavalescos e declarou que eles “vão lembrar” do episódio “quando estiverem com câncer na garganta”. pic.twitter.com/AZwTHD3XP9
— Congresso em Foco (@congressoemfoco) February 18, 2026
Reação religiosa
O episódio também repercutiu no meio religioso. Durante culto realizado na segunda-feira (16), o pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus de Perus (SP), afirmou que os envolvidos com o desfile “terão câncer na garganta”, associando a fala às críticas feitas a evangélicos durante a apresentação.
A ala intitulada “Neoconservadores em Conserva” retratou setores da sociedade, entre eles representantes do agronegócio, defensores da ditadura militar, uma personagem caricata da elite e evangélicos, representados dentro de latas de conserva.
Em sua declaração, o pastor disse que a resposta não viria pelas vias institucionais. “Melhor representação não é no STF, não é na Justiça, não é no Ministério Público Federal, é lá em cima. Deus vai responder à provocação que fizeram contra a Igreja”, afirmou.
Polarização ampliada
O desfile, inserido na programação oficial do Carnaval 2026 no Grupo Especial do Rio de Janeiro, acabou extrapolando o ambiente cultural e passou a integrar o debate político nacional. Enquanto aliados do presidente tratam a homenagem como manifestação artística, opositores avaliam que houve utilização indevida da imagem institucional.
Até o momento, não houve manifestação oficial da Presidência da República ou do Tribunal Superior Eleitoral sobre as denúncias protocoladas.
O episódio reforça o clima de antecipação do debate eleitoral de 2026, com atores políticos já posicionando narrativas e mobilizando bases em torno de pautas simbólicas e de forte apelo ideológico.


