Fabrício Rosa critica postura bolsonarista e fala em oposição em Goiás

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O deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT) afirmou que pretende fazer oposição a um eventual governo da família Bolsonaro e criticou o que classificou como uma postura autoritária de parte do eleitorado bolsonarista em Goiás.

As declarações foram dadas nesta quarta-feira (7), durante entrevista ao programa Manhã Bandeirantes.

Fabrício Rosa foi eleito em 4 de outubro para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Com 81.540 votos, equivalentes a 2,24% dos votos válidos, ele terminou a eleição como o segundo candidato mais votado para deputado estadual no estado. O mandato começa em 1º de fevereiro de 2027.

Durante a entrevista, o petista também falou sobre a repercussão de declarações atribuídas à empresa 44, a atuação de influenciadores conservadores, o cenário nacional e as articulações para a presidência da Alego e da Câmara Municipal de Goiânia.

Fabrício Rosa critica declarações sobre nordestinos

Ao comentar declarações atribuídas à 44 relacionadas à contratação de nordestinos, Fabrício Rosa classificou a postura como autoritária e fez uma comparação com o nazismo.

Segundo o deputado eleito, a democracia exige respeito às diferenças e aos resultados das urnas.

“Essa mentalidade, primeiro ela é uma mentalidade autoritária, é uma mentalidade de pessoas que não têm respeito pelo processo democrático, que não têm respeito pela diferença. Segundo, e mais do que isso, é uma mentalidade nazista, uma mentalidade quase nazista”, afirmou.

Fabrício também criticou atitudes que, segundo ele, tentam impedir o acesso de pessoas ao mercado de trabalho por causa de posições políticas.

Para o petista, a democracia pressupõe reconhecer a possibilidade de o adversário político vencer uma eleição.

“Democracia pressupõe aceitar a diferença, democracia pressupõe reconhecer que o outro também é tão capaz quanto eu sou, reconhecer que o outro pode ser eleito, reconhecer a vitória do outro, reconhecer a caminhada do outro”, declarou.

Deputado atribui parte da votação a trabalho social

Fabrício Rosa também comentou a repercussão de uma polêmica envolvendo um influenciador identificado por ele como conservador e um empresário do setor frigorífico.

O deputado eleito reconheceu que o episódio teve influência sobre sua votação, mas afirmou que o resultado também decorre do trabalho realizado com comunidades vulneráveis.

“Isso nos beneficiou da mesma forma que beneficiou o amiguinho dele, o Danilo, que poderia ter tido uma votação ainda menor, que não foi eleito”, afirmou.

Na sequência, Fabrício criticou o então candidato Danilo Faria e questionou a forma como, segundo ele, o adversário conduziu a campanha.

Para o petista, o debate político deveria priorizar a discussão de políticas públicas.

“Nós estamos ali produzindo políticas públicas para as mães que precisam, aprovando creches, escolas, saúde, são questões sérias”, disse.

Fabrício também afirmou que parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro teria reproduzido esse tipo de discurso durante a campanha.

Fabrício prevê enfrentamento com família Bolsonaro

Ao falar sobre o cenário nacional, Fabrício Rosa afirmou que pretende fazer oposição a um eventual governo da família Bolsonaro.

“Caso a família Bolsonaro vença, será um governo de bastante enfrentamento, a minha vida será a vida dos partidos trabalhadores será de bastante enfrentamento”, declarou.

O deputado eleito também criticou a condução do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Segundo ele, a gestão federal adotou uma postura que não priorizou a vacinação e a ciência.

Fabrício ainda citou as forças de segurança e criticou a política salarial adotada durante o governo anterior.

“Os policiais, quatro anos das três polícias federais sem nenhum real de aumento, porque é um governo que odeia o serviço público, que odeia o servidor público”, afirmou.

O petista também criticou a reforma da Previdência e afirmou que ela prejudicou policiais, aposentados e pensionistas.

Petista cita privatizações e oposição em Goiás

Fabrício Rosa também afirmou que espera uma agenda econômica liberal em um eventual governo ligado à família Bolsonaro.

Segundo ele, empresas e instituições públicas poderiam entrar no debate sobre privatizações.

“Vão tentar privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, as universidades públicas, os Correios”, declarou.

O deputado eleito também citou questões relacionadas às terras raras e à soberania nacional. Na avaliação dele, a oposição deverá ocorrer tanto no Congresso quanto em Goiás.

Fabrício afirmou ainda que pretende fazer oposição ao governador eleito Daniel Vilela, a quem criticou pela aproximação com o grupo bolsonarista.

Disputa pela presidência da Alego

Na entrevista, Fabrício Rosa também comentou as articulações para a escolha do próximo presidente da Assembleia Legislativa de Goiás.

Ele citou Izaura Cardoso, Lissauer Vieira e Paulo César Martins entre os nomes que já conversaram com ele ou com os quais teve contato por meio de representantes.

Sobre Izaura, Fabrício afirmou que ela seria o nome ligado ao grupo do governador. Lissauer, por sua vez, já presidiu a Assembleia e tenta retornar ao comando da Casa.

O deputado eleito também citou Paulo César Martins, que já exerce mandatos na Alego e estaria interessado na presidência.

Fabrício destacou ainda a capacidade de articulação do vereador e deputado estadual eleito GCM Romário Policarpo.

Segundo ele, Policarpo ainda não o procurou diretamente sobre a disputa, mas poderá participar das articulações por meio do grupo ligado ao presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Bruno Peixoto.

PT ainda vai definir voto para Câmara de Goiânia

Fabrício Rosa também falou sobre a disputa pela presidência da Câmara Municipal de Goiânia.

Segundo ele, Ronilson Reis e Thialu Guiotti já trabalham há meses para construir apoio à eleição.

O petista afirmou que ainda não é possível identificar quem possui maioria entre os dois nomes.

Fabrício citou ainda uma declaração do prefeito Sandro Mabel, que teria manifestado apoio a Thialu Guiotti.

O vereador eleito afirmou que a bancada do PT vai se reunir para definir uma posição conjunta.

Participarão da discussão os vereadores Edvar, Fabrício Rosa e Kátia, além das vereadoras eleitas professora Ludimila e professora Ana Rita, sob a liderança da presidente do partido, Neide Aparecida.

“Nós vamos nos reunir e nós vamos tomar uma decisão colegiada, coletiva e unificada. Ninguém ali vota diferente”, afirmou Fabrício.

Lucas Freitas
Lucas Freitas
Jornalista formado pela UNIFASAM - Centro Universitário Sul-Americano. Profissional apaixonado em entretenimento, cinemas, teatro, futebol e musicas. Jornalista por amor.

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