Goiás registrou aumento de 55% nas doações de tecidos oculares entre janeiro e agosto de 2026. O avanço está relacionado à atuação de equipes especializadas que trabalham 24 horas por dia para identificar possíveis doadores de córneas nos hospitais.
A iniciativa resulta de uma parceria entre o Governo de Goiás e a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do Banco de Olhos do Centro de Referência em Oftalmologia (Cerof). O serviço retomou as atividades em fevereiro e já ultrapassou 100 captações.
Os resultados foram apresentados pelo Cerof/UFG e pela Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES). Apesar do crescimento, a demanda continua elevada. No início de setembro, 1.807 pessoas aguardavam um transplante de córnea em Goiás, segundo a secretaria.
Para esses pacientes, a disponibilidade de tecidos pode representar a oportunidade de recuperar a visão comprometida por doenças, infecções ou lesões.
Equipes atuam em Goiânia e Anápolis
A retomada das atividades do Banco de Olhos do Cerof ocorreu em fevereiro, com equipes de busca ativa em Goiânia e Anápolis. Os profissionais identificam possíveis doadores, conversam com familiares e realizam a retirada e a preservação dos tecidos.
As primeiras captações ocorreram em 4 de fevereiro, no Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana).
Atualmente, o trabalho envolve hospitais estaduais, o Hospital das Clínicas da UFG e o Hospital Araújo Jorge. Em Anápolis, uma equipe instalada no Heana também atende outras unidades de saúde do município.
A Fundação Banco de Olhos de Goiás contribui para as captações e amplia a atuação das instituições envolvidas.
A estrutura permite acionar profissionais especializados quando surge uma possibilidade de doação. A agilidade é fundamental porque a retirada das córneas precisa ocorrer dentro de um período limitado. Sem equipes disponíveis e procedimentos organizados, oportunidades de doação podem ser perdidas.

Recusa familiar é um dos principais desafios
Apesar do aumento nas captações, a autorização das famílias continua sendo um obstáculo. Dados divulgados pela SES em setembro apontam que 66,4% das famílias entrevistadas em Goiás não autorizam a doação de órgãos de um parente.
A legislação brasileira exige autorização familiar para a retirada de órgãos e tecidos após a morte. Por isso, mesmo que uma pessoa manifeste em vida o desejo de ser doadora, a decisão depende dos familiares.
A Secretaria de Estado da Saúde orienta a população a conversar com os parentes sobre essa vontade. A manifestação prévia ajuda a família a conhecer o desejo do possível doador e pode facilitar a decisão em um momento difícil.
“A doação de órgãos e tecidos representa a possibilidade de transformar a dor de uma perda em esperança para outras pessoas”, afirma Katiuscia Christiane Freitas, gerente da Central Estadual de Transplantes.



