Pesquisadores de cinco Centros de Excelência apoiados pelo Governo de Goiás avaliaram os possíveis impactos do El Niño no Estado entre 2026 e 2027. O trabalho resultou em uma nota informativa com análises e recomendações para orientar o poder público, os setores produtivos e a população.
O documento reúne informações sobre os possíveis efeitos do fenômeno no clima, nos recursos hídricos, na agricultura, nas queimadas e na saúde. A iniciativa busca auxiliar o planejamento e a adoção de medidas preventivas diante dos riscos climáticos.
As análises indicam que o El Niño pode atingir forte intensidade e persistir até o início de 2027. Para Goiás, o cenário aponta temperaturas acima da média, possibilidade de episódios de calor intenso e maior irregularidade na distribuição das chuvas.
Os pesquisadores ressaltam que os efeitos podem variar entre as regiões do Estado. Por isso, as projeções representam cenários de risco que exigem acompanhamento contínuo, e não previsões definitivas.
El Niño pode afetar agricultura e abastecimento de água
A combinação de temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer diferentes atividades. Entre os principais pontos de atenção estão a disponibilidade de água superficial e subterrânea, as vazões dos rios e a recuperação dos reservatórios.
Na agricultura, um possível atraso na regularização das chuvas pode interferir no calendário de plantio da soja. Essa mudança também pode reduzir o período disponível para o cultivo de segunda safra, como milho e sorgo.
O cenário exige atenção também para as condições favoráveis a queimadas e incêndios florestais. Temperaturas elevadas e períodos de menor precipitação podem aumentar os riscos, o que reforça a importância das ações preventivas.
Na saúde, ondas de calor podem agravar problemas cardiovasculares, respiratórios e renais. A fumaça dos incêndios também aumenta a exposição da população à poluição atmosférica.
As condições climáticas ainda podem influenciar a dinâmica das arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. No entanto, os pesquisadores destacam que fatores como urbanização, mobilidade populacional, imunidade e circulação viral também interferem na transmissão dessas doenças.

Pesquisadores recomendam ampliar o monitoramento
Diante dos possíveis impactos, a nota informativa apresenta recomendações para diferentes áreas. Entre as medidas propostas estão:
- Intensificar o monitoramento climático e hidrometeorológico;
- Acompanhar a disponibilidade e a demanda por água;
- Reforçar o planejamento agrícola diante de possíveis mudanças no regime de chuvas;
- Ampliar as ações de prevenção e resposta a queimadas e incêndios florestais;
- Preparar a rede de saúde para possíveis efeitos do calor, da fumaça e das arboviroses;
- Integrar informações produzidas por instituições e setores diferentes.
As recomendações buscam antecipar riscos e apoiar decisões antes que possíveis consequências se agravem. O acompanhamento contínuo das condições climáticas também permitirá atualizar as análises conforme a evolução do fenômeno.
Cinco Centros de Excelência participaram do estudo
A elaboração da nota reuniu pesquisadores de cinco Centros de Excelência apoiados pelo Governo de Goiás. A política é desenvolvida por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).
O modelo reúne especialistas, infraestrutura e conhecimento científico em áreas estratégicas para transformar pesquisas em soluções voltadas aos desafios do Estado.
Participaram do trabalho os seguintes centros:
- Centro de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (CEMPA-Cerrado): atua no monitoramento e na previsão ambiental;
- Centro de Excelência em Segurança Hídrica do Cerrado (Cehidra Cerrado): desenvolve estudos relacionados à segurança hídrica;
- Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre): aproxima ciência e tecnologia do setor agropecuário;
- Centro de Excelência em Tecnologia e Inovação em Saúde (CETI-Saúde): desenvolve pesquisas e soluções aplicadas à saúde;
- Centro de Excelência em Genética e Genômica (CEGGen): amplia a capacidade de pesquisa nessas áreas.
Os centros estão sediados na Universidade Federal de Goiás (UFG), na Universidade Estadual de Goiás (UEG), na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e no Instituto Federal Goiano (IF Goiano).
A elaboração conjunta da nota integra dados ambientais, climáticos, agrícolas, hidrológicos, epidemiológicos e genômicos. O objetivo é oferecer subsídios científicos para antecipar riscos, orientar políticas públicas e apoiar o planejamento de diferentes setores diante dos possíveis efeitos do El Niño em Goiás.



