Goiás registrou 225 focos de queimadas na segunda semana de agosto de 2026, segundo dados do Centro de Informações Hidrológicas e Meteorológicas (Cimehgo). O número representa aumento de 40,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 160 focos.
O cenário ocorre em meio ao tempo seco, às altas temperaturas e à baixa umidade do ar, condições que favorecem a propagação do fogo em áreas de vegetação e lotes baldios.
Leste de Goiás concentra maior número de queimadas
Os municípios do Leste goiano concentraram a maior quantidade de focos registrados na segunda semana de agosto, com 129 ocorrências.
A Região Norte aparece na sequência, com 41 focos de queimadas. Já as regiões Oeste, Central, Sudoeste e Sul apresentaram redução no número de registros em comparação com o mesmo período de 2025.
Apesar da alta registrada na segunda semana, o acumulado de agosto apresenta redução nos focos de incêndio florestal no Estado.
Goiás enfrenta alerta para calor e baixa umidade
Além do aumento das queimadas, Goiás está em alerta para calor intenso, incêndios florestais e baixa umidade do ar.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade relativa do ar pode variar entre 20% e 12% em algumas regiões. Os índices podem chegar a 15% em todo o Estado, cenário considerado prejudicial à saúde.
O Inmet recomenda aumentar o consumo de água, manter a pele hidratada e evitar atividades físicas durante os horários mais quentes do dia.
Em situações de emergência, a população pode procurar orientação da Defesa Civil, pelo telefone 199, e do Corpo de Bombeiros, pelo 193.
El Niño aumenta preocupação com incêndios em Goiás
O Governo de Goiás criou o Gabinete de Ações Integradas (GAI) para acompanhar os possíveis impactos do El Niño durante o período de estiagem e reforçar as ações de combate aos incêndios florestais.
A estrutura reúne órgãos estaduais e instituições parceiras em um comando unificado, coordenado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), por meio do Comando de Operações de Defesa Civil (Codec).
O trabalho envolve inteligência artificial, imagens de satélite, drones e geoprocessamento para identificar situações críticas e agilizar a resposta às ocorrências.
Até 16 de agosto, Goiás contabilizou 138.908 hectares atingidos pelo fogo. No mesmo período de 2025, foram 112.686 hectares, o que representa aumento de 23,3%.
Segundo o governo estadual, a preocupação também está relacionada à possibilidade de um El Niño de intensidade forte a muito forte no segundo semestre de 2026.
Nordeste goiano recebe reforço no combate ao fogo
De acordo com o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Washington Luiz Vaz Júnior, o monitoramento ocorre em tempo real. O Estado também descentralizou as operações e instalou seis bases no Nordeste goiano, região que concentra maior número de incêndios.
A estratégia busca identificar rapidamente os focos e mobilizar equipes para combater as ocorrências.
O cenário climático pode provocar impactos como irregularidade das chuvas, atraso na recarga hídrica do solo, redução dos mananciais, perdas na produção agropecuária e aumento de doenças respiratórias.
Dados do Monitor de Secas apontam que 151 municípios goianos enfrentam redução contínua das chuvas e repetição de períodos de seca. Desse total, 51 estão frequentemente envolvidos em situações de crise hídrica e recebem atenção prioritária.
Governo prepara ações para período de estiagem
O Gabinete de Ações Integradas terá caráter executivo e deliberativo e será responsável por integrar decisões, equipes, equipamentos e recursos logísticos durante o período crítico.
Uma Sala de Situação será instalada no Codec, em Goiânia. O espaço vai reunir diariamente informações sobre focos de calor, previsões meteorológicas, níveis dos reservatórios e dados operacionais.
As ações serão divididas em três frentes:
- Prevenção: mapeamento de municípios com risco de desabastecimento, cadastro de populações vulneráveis ao calor, planejamento hídrico e emissão de alertas;
- Resposta: combate aos incêndios, fornecimento de água potável, patrulhamento de áreas de preservação e reforço no atendimento de saúde;
- Recuperação: restauração de redes elétricas, recuperação ambiental, conservação do solo e apoio socioeconômico às localidades atingidas.
A Secretaria de Estado da Saúde também informou que trabalha para ampliar em 30% o estoque estratégico de oxigênio, broncodilatadores e soro, diante dos possíveis impactos do período de calor e seca.



