Goiás poderá enfrentar ondas de calor mais frequentes nos próximos meses, com temperaturas máximas acima de 38°C durante vários dias consecutivos. A previsão é do Centro de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (Cempa-Cerrado), que mantém parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás (Secti).
Além do calor intenso, a previsão aponta baixa umidade do ar, noites mais quentes e temperaturas mínimas acima da média climatológica em diferentes regiões do Estado.
A parceria entre o Cempa-Cerrado e a Secti contribui para o monitoramento climático, a elaboração de boletins sobre a qualidade do ar e o desenvolvimento de soluções voltadas à resiliência ambiental em Goiás.
El Niño pode influenciar temperaturas em Goiás
De acordo com o Cempa-Cerrado, o cenário previsto está relacionado à atuação do El Niño. O fenômeno ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento pode alterar a distribuição das chuvas e influenciar as temperaturas em diferentes regiões do Brasil.
Em Goiás, o calor costuma aumentar em setembro, considerado o mês mais quente do ano no Estado. A temperatura máxima média fica próxima de 34°C.
Neste ano, porém, os termômetros podem superar 38°C em vários dias consecutivos. A previsão indica temperaturas entre 1°C e 2°C acima da média climatológica.
O comportamento do clima não deve ser igual em todas as regiões de Goiás. As condições de temperatura, umidade e chuva podem variar conforme a localização.
Na região norte e na parte central da Região Metropolitana de Goiânia, por exemplo, a previsão indica menor disponibilidade de umidade. Já no Sudeste goiano, a expectativa é de chuvas ligeiramente acima da média para o período.
Baixa umidade aumenta preocupação
Além das temperaturas elevadas, a baixa umidade relativa do ar deve exigir atenção nos próximos meses.
Em agosto, os índices podem atingir níveis críticos, entre 15% e 20%. A previsão também aponta períodos de tempo muito seco em setembro.
O meteorologista do Cempa-Cerrado, Carlos Diego Gurjão, alerta para o risco de desidratação durante os períodos de baixa umidade.
“Em dias muito secos, a dissipação de calor do organismo se torna muito maior. Isso é tão verdade que desidratamos facilmente sem perceber durante os períodos secos”, explica.
O tempo seco e o calor intenso também podem afetar a qualidade do ar, aumentar o risco de queimadas e provocar impactos na saúde da população.
Por isso, o acompanhamento das previsões meteorológicas e dos índices de umidade será importante durante os períodos de maior calor.

O que caracteriza uma onda de calor?
Segundo Carlos Gurjão, uma onda de calor ocorre quando as temperaturas permanecem significativamente acima da média durante vários dias consecutivos.
“Ondas de calor estão associadas ao aumento da temperatura acima da média, em torno de 4°C a 5°C, por vários dias consecutivos”, afirma.
O meteorologista explica que o El Niño também pode provocar diferentes efeitos no clima brasileiro.
El Niño pode favorecer calor no Brasil Central
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial permanecem mais quentes do que a média por um período prolongado.
O fenômeno pode provocar chuvas acima da média na Região Sul e, de forma pontual, no Sudeste. Já as regiões Norte e Nordeste podem registrar volumes de chuva abaixo da média.
No Brasil Central, incluindo Goiás, o El Niño pode favorecer a ocorrência de ondas de calor mais frequentes e temperaturas máximas superiores a 38°C por vários dias seguidos.



