Morreu neste domingo (16), em Brasília, aos 88 anos, o jornalista, romancista e biógrafo Luiz Gutemberg, após uma longa internação para tratar uma pneumonia. Ele estava internado no Hospital do Coração.
Casado com a jornalista Rosângela Bittar, ex-chefe da sucursal do Jornal do Brasil em Brasília e ex-repórter especial do Estado de S. Paulo, Gutemberg era considerado uma referência do jornalismo político brasileiro e ajudou a formar diferentes gerações de profissionais da imprensa. O casal tinha uma filha, Olívia.
As informações sobre o velório e o sepultamento ainda serão divulgadas pela família.
Trajetória no jornalismo
Nascido em Maceió (AL), Luiz Gutemberg iniciou a carreira no jornalismo aos 16 anos, na Gazeta de Alagoas. Aos 18, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a conviver com alguns dos principais nomes da imprensa brasileira.
Ao longo da carreira, trabalhou no Jornal do Brasil, onde participou da renovação editorial e gráfica conduzida por Odylo Costa Filho, e na revista Manchete, ao lado de jornalistas como Alberto Dines e Nahum Sirotsky.
Em Brasília, na década de 1980, marcou época como editor-geral do Jornal de Brasília, em um período de renovação do jornalismo político na capital.
Gutemberg também trabalhou na revista Veja, a partir de 1969, quando se mudou para Brasília e passou a acompanhar os bastidores dos governos militares. Posteriormente, foi dono do jornal semanal JOSÉ, voltado à análise política.
Além da atuação na imprensa, foi professor da Universidade de Brasília (UnB) e assessor especial da Presidência da República durante o governo de José Sarney.
Livros
Gutemberg também construiu uma trajetória na literatura e na produção de biografias. Entre seus romances estão “O Anjo Americano”, “O homem que enganou o diabo… e ainda pediu troco”, “O jogo da gata parida”, “Auto da perseguição” e “Morte do Mateu”.
O jornalista também escreveu as biografias “Moisés – codinome Ulysses Guimarães”, “Quem é… Pedro Simon” e “Quem é… Jorge Bornhausen”, além de ter organizado uma edição comemorativa sobre Ulysses Guimarães.
Com mais de sete décadas dedicadas ao jornalismo, Gutemberg também se envolveu com questões ambientais. Em 2022, participou do documentário “Luiz Gutemberg: uma história de luta na RESEX Mestre Lucindo”, sobre sua atuação em defesa da criação da Reserva Extrativista Marinha Mestre Lucindo, no Pará.
Legado
Conhecido por sua personalidade inquieta e pelo amplo conhecimento sobre política brasileira, Gutemberg era reconhecido pelo espírito agregador e pela capacidade de contar histórias relacionadas aos personagens da vida pública nacional.
Nos últimos anos, reduziu o ritmo de trabalho em razão de problemas de saúde. Ainda assim, permaneceu como uma referência para profissionais que conviveram com ele e para gerações de jornalistas formadas a partir de seu trabalho.
A diretora da Faculdade de Comunicação da UnB, professora titular Dione Moura, lamentou a morte do jornalista e destacou seu legado para a profissão.
“Ele representa o jornalismo, por isso o verbo no presente, então fica na história, não sai da história”, afirmou.
Para a professora, Gutemberg reunia características fundamentais para o exercício da profissão, como ética, capacidade crítica e precisão na interpretação dos fatos. Segundo Dione, seu legado também demonstra que o jornalismo vai além da reprodução de declarações e exige a contextualização histórica dos acontecimentos.



