Governo federal anuncia fim da “taxa das blusinhas” para compras internacionais de até US$ 50

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O governo federal anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio do programa Remessa Conforme. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a mudança por meio de Medida Provisória. O Ministério da Fazenda regulamentou as novas regras em portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Segundo o governo, a isenção dos impostos federais passou a valer a partir desta quarta-feira (13). 

A alteração, no entanto, não muda a cobrança do ICMS, imposto estadual que continua incidindo sobre as compras internacionais. Em abril, dez estados elevaram a alíquota do tributo de 17% para 20%. 

A ministra Miriam Belchior afirmou que a medida representa um avanço para consumidores que realizam compras internacionais de baixo valor. 

“Temos a satisfação de anunciar que foi zerada a tributação sobre a importação, a famosa taxa das blusinhas. Todas as compras até US$ 50 para pessoas físicas estão com tributo zerado”, declarou. 

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Entenda a taxação 

A cobrança do imposto começou em agosto de 2024, após aprovação de lei pelo Congresso Nacional e sanção do presidente Lula. A medida foi defendida por setores da indústria nacional, que alegavam concorrência desigual com plataformas internacionais. 

O aumento das compras online durante a pandemia também pressionou o governo e o Congresso a criarem regras para equilibrar a tributação entre produtos nacionais e importados. 

Governo anuncia fim da “taxa das blusinhas” para compras internacionais de até  US$ 50 – EA1 Notícias

Governo abre mão de arrecadação bilionária 

Segundo dados da Receita Federal, apenas nos quatro primeiros meses de 2026 o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com o imposto de importação sobre encomendas internacionais — crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Em 2025, a arrecadação total com a chamada “taxa das blusinhas” chegou a R$ 5 bilhões. 

A cobrança ajudava a equipe econômica no esforço para cumprir a meta fiscal deste ano, que prevê superávit de 0,25% do PIB. 

Indústria crítica decisão 

Entidades empresariais reagiram negativamente ao fim do imposto. 

A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a medida prejudica a indústria nacional e favorece produtos importados, especialmente da China. 

“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. 

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil classificou a decisão como “grave retrocesso econômico” e criticou o que chamou de concorrência desigual com empresas brasileiras. 

Já a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria afirmou que o fim da taxação enfraquece a produção nacional e prejudica o comércio formal. 

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Impacto nos Correios 

A mudança nas regras de importação também afetou os Correios. Segundo dados da estatal, a participação das encomendas internacionais na receita da empresa caiu de 22% em 2023 para 7,8% em 2025. 

A estatal atribui parte da redução ao programa Remessa Conforme, que encerrou o monopólio dos Correios na distribuição de encomendas internacionais e ampliou a atuação de operadores privados no setor. 

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