Governo de Goiás procura startups para criar tecnologia que agilize e aumente transplantes de córnea  

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O Governo de Goiás lançou, nesta sexta-feira (5), o primeiro edital da nova edição do programa GovTech voltado à área da saúde. A chamada pública, no modelo de Contratação Pública para Solução Inovadora (CPSI), busca startups capazes de desenvolver tecnologias que ajudem a reduzir a subnotificação de potenciais doadores de córneas no estado — um dos principais entraves para realização de transplantes.

A publicação do edital marca a primeira ação entre as seis previstas no ciclo atual do GovTech, programa de inovação aberta que conecta governo e startups para aprimorar serviços públicos. O documento está disponível no Diário Oficial do Estado e pode ser consultado em goias.gov.br/saude/govtech.

Fila longa e perda de doações

Segundo a gerente de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Katiuscia Freitas, Goiás registra mais de 1,8 mil pessoas na fila de transplante de córnea, com espera de quase dois anos.

Ela explica que a baixa notificação de óbitos por parada cardiorrespiratória impede a captação dentro do prazo necessário.

“Quando o óbito não chega a tempo para a central, muitas vezes já ultrapassamos as seis horas permitidas para captação da córnea”, afirma.

Katiuscia reforça que uma solução tecnológica pode ter impacto direto na vida dos pacientes.

“O transplante devolve autonomia e qualidade de vida. Nossa expectativa é que uma ferramenta inovadora aumente a efetividade das notificações e, com isso, o número de doações. Talvez até seja possível zerar a fila em Goiás”, projeta.

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Wesley Costa

Como funciona a CPSI

A Contratação Pública para Solução Inovadora é a principal novidade da edição 2024/2026 do GovTech. Previsto na legislação brasileira, o modelo permite que o poder público contrate protótipos, testes ou tecnologias ainda em fase de desenvolvimento, desde que voltadas a um problema real da administração.

O formato facilita a participação de startups, empresas de base tecnológica e até pessoas físicas, permitindo que o Estado teste soluções antes de uma contratação definitiva.

“É uma nova forma de o setor público enxergar a inovação. Queremos que Goiás seja referência nacional na adoção de tecnologias que gerem impacto real para a população”, afirma o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, José Frederico Lyra Netto. Ele destaca que o Hub Goiás é responsável por atrair participantes de todo o país.

O secretário de Administração, Alan Farias Tavares, reforça que a modalidade muda a lógica de atuação do governo:

“A CPSI permite que o Estado deixe de ser apenas comprador e passe a ser cocriador de soluções. Isso reduz riscos, ajusta expectativas e aproxima a inovação das necessidades reais dos serviços públicos”.

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