72% dos professores tiveram a saúde mental afetada na pandemia

Data:

Uma Pesquisa realizada pela Nova Escola mostrou que 72% dos educadores tiveram a saúde mental afetada durante a pandemia de Covid-19, o que coloca os professores entre os trabalhadores mais impactados pelas mudanças nas relações de trabalho. Para o mestre em Educação pela Universidade de Brasília, professor do ensino superior e ativista, Weslei Garcia, a falta de apoio material constitui um dos fatores que prejudicam a saúde mental dos professores.

“Algumas escolas, especialmente escolas particulares, estão exigindo o cumprimento de uma carga horária de quatro a cinco horas por parte do profissional, em frente ao Google Meet. Quando você não está cumprindo esse horário, você passa por uma situação mais delicada que é ter de atender, por Whatsapp, os alunos que não conseguiram acessar as aulas por algum motivo”, revela.

Ainda de acordo com Weslei Garcia, a discussão em torno da produtividade de educadores e alunos por meio do Ensino à Distância (EAD) deve, além de pautar datas para a volta a aulas, abordar a relação entre a vacinação e direitos humanos. “Como posso dizer que meus alunos estão aprendendo sendo que eu tenho contato com apenas 14 deles, que têm acesso online? O restante recebe o material impresso em casa. Nem o ensino remoto foi pensado”, indaga.

“O que deveria ter sido feito minimamente era ter comprado tablets para os estudantes, com chip que tenha internet funcionando 24h; o dinheiro do lanche escolar deveria ter sido revertido em cestas básicas. Tudo isso deveria ter sido pensado, mas nada substitui a vacina. A retomada da Educação só deve acontecer depois que tivermos vacinado toda a população”, reforça.

Impossibilidade do diálogo individualizado

Para a psicóloga, professora e coordenadora do MBA Recursos Humanos 4.0 do IPOG, Cyndia Bressan, o cuidado com a saúde mental de professores e alunos envolve a atenção a detalhes, dado à diminuição das possibilidades de troca e diálogo individualizado via EAD.

“Temos que gerenciar todo o apoio que precisamos dar para o próprio aluno, pois às vezes o aluno chega com uma demanda e precisamos acolhê-lo. Hoje vivemos um dilema iniciado com as câmeras, que não estão sendo ligadas pelos alunos. Então não temos a interação (professor-aluno), não sabemos a expressão facial dos estudantes”, afirma a psicóloga.

Há também a necessidade da construção de uma rede de apoio como forma de combate à depressão, ansiedade e demais transtornos que podem se agravar em consequência da pandemia. “É muito importante a gente falar mais, conversar mais, dialogar mais, colocar mais o que está sentindo, o que quer. O professor explicar por que deseja que o aluno permaneça com a câmera ligada e o aluno, por sua vez, dizer que não pode ligar por que a internet é ruim ou então porque o próprio ambiente físico não o deixa confortável e ele não quer ter sua privacidade invadida. Acredito que é o diálogo que vai criar laços mais verdadeiros entre as pessoas”, ressalta Bressan.

Nesse sentido saber ouvir é muito importante e o Centro de Valorização à Vida (CVV) realiza um trabalho gratuito, que é referência na prevenção ao suicido. Se você sentir a necessidade de ser ouvido ou se você quer oferecer apoio à alguém, ligue para o CVV no telefone para o número 188.

Texto de Larissa Artiaga, especial para a Rádio Bandeirantes Goiânia.


Leia mais: Dia D em Goiânia: Prefeitura orienta sobre postos de vacinação neste sábado

Compartilhe esse post

Inscreva-se

spot_imgspot_img

Mais Notícias

Recomendadas
Recomendadas

HUGO amplia captação de órgãos e reforça importância da doação em Goiás

Hospital foi o que mais captou órgãos para transplantes em Goiás entre janeiro e agosto de 2026 e aposta no acolhimento das famílias

MotoGP confirma GP do Brasil em Goiânia para 4 de abril de 2027

Autódromo Internacional de Goiânia receberá o Mundial de 2 a 4 de abril, na terceira etapa da temporada de 2027

Goiânia amplia vacinação contra pneumonia para idosos com 85 anos ou mais

Pneumo 20 passa a ser oferecida aos idosos a partir de 85 anos nas salas de vacinação da rede municipal de saúde

Pesquisa Quaest mostra Daniel Vilela com 42% na disputa pelo Governo de Goiás

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (24) mostra Marconi Perillo com 19% e Wilder Morais com 15% das intenções de voto.